Cenas de um Judiciário apagado
04/02/2008 às 17h49min | Paulo Gustavo | crônicas e poesias
Texto literário de ficção acerca do cotidiano jurídico.
Por Fábio de Oliveira Ribeiro, advogado em Osasco (SP)
Que o Executivo substituiu o legislativo com as MPs e ofuscou sua importância distribuindo verbas em troca da não instalação da CPI da corrupção, todo mundo sabia. A novidade é que agora o Fernando Henrique conseguiu na base da inexecutividade apagar o Judiciário literalmente.
Após terminar de instruir uma ação sumaríssima demoradíssima, um Juiz dita diligentemente a sentença para a cartorária, que digita o texto no computador. Quando coloca o último ponto final, acaba a energia. Resultado, o processo ficará sem sentença até o dia seguinte (isto se o texto tiver sido gravado). Bem… Pacientemente, ele manda a cartorária apanhar a máquina de escrever para lavrar a ata relatando o incidente.
– Mas, Excelência…
– Por favor, dona Juvina, não temos tempo para discutir. O sol está se pondo… Apanhe a máquina e depois conversaremos.

